Como restaurantes estão reduzindo taxas de aplicativos de delivery com pedidos diretos

Como restaurantes estão reduzindo taxas de aplicativos de delivery com pedidos diretos

Nos últimos anos, os aplicativos de delivery se tornaram parte essencial do mercado de alimentação. Plataformas como o iFood passaram a concentrar grande parte dos pedidos de restaurantes, lanchonetes e pizzarias. Ao mesmo tempo em que ampliaram o alcance dos estabelecimentos, esses serviços também introduziram um custo significativo para quem vende.

Dependendo do plano contratado, as taxas cobradas pelas plataformas podem ultrapassar 20% do valor de cada pedido, além de incluir tarifas de pagamento e mensalidades. Para pequenos negócios, essa estrutura de custos pode representar uma parcela importante da margem de lucro.

Diante desse cenário, cresce entre empreendedores do setor de alimentação uma estratégia alternativa: manter presença nos aplicativos para atrair novos clientes, mas incentivar pedidos diretos por meio de canais próprios, como sites, redes sociais ou WhatsApp.

O peso das taxas

Nos modelos tradicionais de marketplace de delivery, o aplicativo intermedia todo o processo. O cliente faz o pedido dentro da plataforma, paga pelo aplicativo e, em muitos casos, a entrega também é realizada por entregadores da própria rede.

Nesse formato, o restaurante paga comissões que podem variar de cerca de 12% a mais de 25% do valor do pedido, dependendo do pacote escolhido e dos serviços incluídos.

Para um pedido de R$100, por exemplo, o restaurante pode receber algo próximo de R$73 quando a plataforma também fornece o entregador. No plano em que o restaurante faz a própria entrega, esse valor pode subir para cerca de R$85.

O modelo híbrido

Para reduzir custos, muitos estabelecimentos adotaram um modelo híbrido. Eles continuam cadastrados em aplicativos como o iFood para ganhar visibilidade e atrair novos consumidores, mas incentivam clientes frequentes a fazer pedidos diretamente com o restaurante.

Nesse caso, o pedido pode ser feito pelo site do estabelecimento ou por mensagem. A entrega é realizada por motoboys próprios ou por serviços de logística sob demanda, como o Uber com o recurso Uber Flash ou serviços semelhantes.

Nesse modelo, o restaurante paga apenas o custo da entrega e eventuais taxas de pagamento eletrônico. Assim, em um pedido de R$100, o valor líquido recebido pode ficar próximo de R$88, dependendo da distância da entrega e da forma de pagamento.

Autonomia e relacionamento com o cliente

Outro ponto citado por empresários do setor é a autonomia. Quando o pedido é feito diretamente com o restaurante, o estabelecimento mantém maior controle sobre preços, promoções e relacionamento com o cliente.

Além disso, dados como histórico de pedidos e preferências ficam sob controle do próprio negócio, permitindo estratégias de fidelização mais diretas.

Tendência no setor

Especialistas em comércio digital apontam que o delivery tende a seguir um caminho semelhante ao de outros setores do comércio eletrônico: plataformas concentradoras continuam importantes para descoberta de novos clientes, mas empresas buscam cada vez mais canais próprios para fortalecer sua marca e reduzir custos operacionais.

Para pequenos restaurantes, a combinação entre presença em aplicativos e canais diretos de venda pode representar uma forma de equilibrar visibilidade e rentabilidade em um mercado cada vez mais competitivo

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